FAMOD Participa do ZeroCon26 em Vienna e partilha Experiência de Liderança de uma Agenda Humanitária Inclusiva em Moçambique  

O FAMOD participou do ZeroCon26, uma conferência anual que se afirma como um espaço global singular para promover inovações em inclusão de pessoas com deficiência, a qual reuniu mais de 1.400 participantes de cerca de 100 países, no escritório das Nações Unidas em Vienna. Nesta edição, os debates e apresentações concentraram‑se em acessibilidade, tecnologias da informação e comunicação (TIC) e resposta a crises, temas que orientaram a selecção das soluções apresentadas pela rede global Zero Project no âmbito do processo de pesquisa #ZeroCall26.   

Na ocasião, o FAMOD tomou parte, como painelista da mesa-redonda com o tema “Leaving No One Behind in Humanitarian Action: Disability Inclusion in Emergencies”, que reuniu profissionais internacionais para discutir como assegurar que ninguém seja deixado para trás nas acções humanitárias. 

Neste espaço, o director executivo do FAMOD, Clodoaldo Castiano, destacou que o movimento, inicialmente voltado para a advocacia, ampliou seu papel diante do agravamento de crises humanitárias, como as cheias que recentemente afectaram o sul país. Hoje, a organização actua no fortalecimento da preparação comunitária, no apoio às respostas locais quando as emergências ocorrem e na responsabilização de governos e actores humanitários para garantir que as acções sejam inclusivas.   

Um dos projectos destacados foi o desenvolvimento, em parceria com a Light for the World e com o apoio da Elrha, de uma ferramenta de recolha de dados inclusiva para contextos de crise. A participação directa de pessoas com deficiência no desenho e na utilização da ferramenta foi apontada como factor decisivo para a qualidade das informações obtidas e para a influência dessas evidências nas políticas públicas; a ferramenta permitiu a recolha de dados de mais de 2.400 pessoas, reforçando a legitimidade das recomendações resultantes.   

Clodoaldo Castiano também enfatizou a necessidade de diversificar a representação dentro das OPDs, com especial atenção para a inclusão de mulheres com deficiência, que historicamente enfrentam barreiras ao acesso à educação e à participação pública. Para ele, liderança inclusiva é condição essencial para a legitimidade e a eficácia da advocacia, e as OPDs devem ser integradas de forma sistemática nos processos locais de planeamento de adaptação climática. A integração da perspectiva da deficiência nas políticas climáticas e humanitárias foi apresentada como imperativa para assegurar respostas que respeitem a autonomia e os direitos das pessoas afectadas.   

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