Resposta humanitária às cheias continua a deixar pessoas com deficiência à margem

No seguimento das inundações que afectaram as zonas centro e sul do país, o FAMOD efectuou visitas de monitoria, entre 27 de Janeiro e 6 de Fevereiro de 2026, à Cidade e Província de Maputo e à Província de Gaza. O objectivo foi avaliar o impacto das cheias sobre pessoas com deficiência e seus agregados familiares e apoiar os actores humanitários na inclusão efectiva deste grupo. 

As equipas, compostas por pessoas com deficiência, identificaram lacunas significativas na resposta humanitária: ausência de registos desagregados por deficiência; falta de acessibilidade nos centros de acolhimento (rampas ausentes ou mal construídas, instalações sanitárias adaptadas raras e circulação interna impraticável para cadeiras de rodas); e inexistência de prioridade no atendimento. Estas falhas expuseram muitas pessoas a riscos de saúde e de desnutrição. 

Foram também detectadas necessidades críticas em saúde, meios auxiliares de mobilidade, alimentação e água potável. Há relatos de pessoas que não conseguiram chegar aos centros por falta de informação ou de apoio para deslocação. 

O relatório propõe acções imediatas e de médio prazo: (i) integração sistemática da deficiência nos planos de gestão de desastres; (ii) implementação de registos desagregados por deficiência; (iii) formação das equipas de resposta em acessibilidade e atendimento prioritário; e (iv) fornecimento de cadeiras de rodas e outros meios auxiliares. O FAMOD apelou ainda à coordenação contínua com o INGD e demais actores humanitários para garantir rotas de evacuação acessíveis, centros de acomodação com adaptações mínimas e sistemas de aviso prévio inclusivos, de modo a não deixar pessoas com deficiência fora da resposta humanitária. 

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